Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
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Palavra do dia

a·nhar a·nhar - ConjugarConjugar
(talvez de anho + -ar)
verbo intransitivo

1. [Portugal, Informal]   [Portugal, Informal]  Não apresentar reacção ou entusiasmo (ex.: não fiz nada hoje, passei o dia a anhar).

2. [Portugal, Informal]   [Portugal, Informal]  Não compreender (ex.: ficou a anhar e não conseguiu responder à pergunta).

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Dúvidas linguísticas


Não é suposto trabalharmos hoje. É certo dizer isto?
Não há motivo para considerar incorrecta a expressão apresentada.

A estrutura da frase Não é suposto trabalharmos hoje pode ser descrita de duas formas: como uma estrutura passiva ou como uma estrutura predicativa.

O verbo supor selecciona complementos directos não introduzidos por preposição, que podem ser um grupo nominal (ex.: ele não supôs uma tragédia, mas aconteceu), uma oração completiva integrante (ex.: suponho que trabalhamos hoje) ou uma oração infinitiva (ex.: suponho trabalharmos hoje). Por ser transitivo directo, este verbo admite a voz passiva e a construção é suposto, numa frase como a apontada, pode corresponder a esta estrutura, sendo o sujeito da frase a oração infinitiva trabalharmos hoje, não havendo um agente da passiva expresso (trabalharmos hoje não é suposto [por alguém - agente da passiva]). As frases na voz passiva são geralmente equivalentes do ponto de vista semântico às da voz activa. No entanto, como se pode verificar pelos exemplos (ex.: uma tragédia foi suposta por ele; é suposto [por mim] que trabalhemos hoje; é suposto [por mim] trabalharmos hoje), há, à excepção do primeiro exemplo, uma alteração semântica significativa entre os dois grupos de frases, pois o verbo supor na voz activa pode ser sinónimo de considerar, pensar ou julgar (ex.: suponho [=penso] que trabalhamos hoje), enquanto a construção ser suposto implica algo que é esperado ou devido (ex.: é suposto [=é esperado] que trabalhemos hoje). Por este motivo, pode entender-se que não se trata da voz passiva do verbo supor, mas de uma construção com um verbo predicativo (é, forma do verbo ser), em que a oração infinitiva corresponde ao sujeito e o adjectivo suposto ao predicativo do sujeito, à semelhança de outras estruturas análogas com outros adjectivos (é provável não trabalharmos hoje; é normal não trabalharmos hoje). Esta última hipótese é considerada a descrição mais correcta para este tipo de estruturas por João PERES e Telmo MÓIA em Áreas Críticas da Língua Portuguesa (Lisboa, Caminho, cap. 4, especialmente pp. 262-266), obra onde estas estruturas são analisadas e problematizadas.

Considerando as duas hipóteses acima apontadas (uma construção passiva ou uma construção predicativa), não há motivo para considerar incorrecta a estrutura apresentada. Alguns autores indicam que esta construção é desaconselhada ou mesmo inaceitável por considerarem que se trata de decalque do inglês, mas não parece haver justificação plausível para tal indicação, pois trata-se de uma estrutura regular em português.
Como decalques do inglês podem ser considerados os fenómenos de deslocamento do sujeito da oração infinitiva para sujeito da oração principal (ex.: nós somos supostos não trabalhar hoje ou nós somos supostos não trabalharmos hoje), muito frequentes na língua inglesa (ex.: we are not supposed to work today), mas que correspondem a construções pouco regulares em português....

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in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://priberam.pt/dlpo/Whatsapp%20Messenger%20%5BWhatsApp%20%5D [consultado em 26-01-2015]